Pedro Novais é imagem mais perfeita da decadência
Em 1989, Pedro Novais é imagem mais perfeita da decadência. Roupas rasgadas, uma barba gigantesca, maltratada, cabelos desgrenhados, pele pálida, olhos fundos de quem costuma passar noites em claro. O ambiente em que vive segue o mesmo estilo.
Sua quitinete no centro de São Paulo é menos parecida com um lar do que, como diz Léo (Dan Stulbach), com um sambaqui. Tudo amontoado, papéis, jornais, livros jogados, embalagens de comida, pratos por lavar, lixo acumulado. E no meio daquela bagunça toda, uma máquina de escrever elétrica jaz inerte. Estaria ali, em repouso constante, apenas para fazê-lo se lembrar de que um dia teve um ofÃcio de sucesso?
Sim, porque o personagem de Bruno Garcia em Queridos Amigos nem sempre foi esse trapo. Num passado não muito remoto, era de todos os membros da ‘famÃlia’ o que mais poderia ser chamado de um homem bem-sucedido. Escritor famoso, Pedro teve seus livros publicados – e muito bem vendidos – no mundo todo. Dinheiro nunca foi problema pra ele. Bem, isso até que um acidente de carro matasse a pessoa que mais amava: sua mulher, Márcia (Luli Miller). Pedro estava no volante e desde então se culpa por Márcia e, também, por ter sobrevivido a ela. Mergulhou em depressão profunda e nunca mais conseguiu escrever uma linha que prestasse. Aos poucos detonou todas suas economias e, hoje, vive de bicos e favores.
Poderia continuar eternamente nesse poço não fosse o reencontro com os amigos. Assim como acontece com todos os convidados de Léo, aquela festa vai mudar sua vida.














